Manhã difícil e almoço na mesa

As manhãs aqui em casa nem sempre são fáceis. Nada incomum, quando se tem duas crianças pequenas cheias de energia, numa fase de literalmente brigar por atenção. Mas o almoço tem que chegar na mesa. E hoje, em meio a todo o caos, ele chegou, fresquinho, completo, nutritivo e cheio de cores, depois de:

  • 1548 (aparentemente) peças de lego espalhadas pelo chão da sala;
  • 2 intervenções quando os “me dáaaa! Eeeeeu tava montando esse!” estavam com cara de virar agressão física;
  • 1 conversa significativa sobre porque era hora de esperar o almoço, e não de comer biscoito;
  • 20 minutos na cozinha. Sim, só 20 minutos.

Mas como?!

Pré preparos e o amigo freezer.

As fotos de Instagram de uma bancada de mármore limpíssima coberta com potes iguaizinhos e cheios de comida pra semana inteira, organizadinhas, separadas em porções pra só esquentar e comer. Já viu? Sonho, não é?

É. Mas, pra mim, não funciona. Com duas crianças pequenas em casa, as chances de eu passar horas da minha tarde de sábado ou domingo preparando comida pra semana são muito baixas. Eu bem que tentei, mas tinha que ter outro jeito.

E tem. Quando caiu a ficha de que eu não precisava de uma grande sessão de pré preparos, mas podia separar em pequenas sessões e encaixá-las onde coubessem, tudo ficou mais leve.

No dia da feira

Algumas coisas não dá pra adiar muito. No sábado pela manhã faço a feira e, na volta, começo dando atenção para os mais perecíveis que, em geral, são as folhas. Lavo, deixo de molho na solução de água com cloro (não, vinagre não resolve), enxáguo, passo na centrífuga e armazeno. Também higienizo as frutas que vão ficar disponíveis na fruteira.

Alface
Alface pronta para a geladeira – ela dura mais de uma semana quando armazenada assim

No forno

Quase sempre que ligo o forno – para assar pão ou bolo, por exemplo – infiltro pelo menos uma assadeira de legumes ou aproveito pra assar batata doce. Sempre tenho batata doce assada porque é um lanche favorito e ela congela bem – inteira e com casca, mesmo.

Os legumes, asso pra usar na semana porque não acho que eles congelem bem depois de assados. Pra servir, dou uma “acordada” rápida na frigideira ou corto em pedaços menores pra fazer uma arroz/painço/quinoa com legumes, por exemplo.

Também aproveito quando já estou com o forno quente pra assar os alho e preparar a pasta que ensinei aqui.

Grãos e feijões

O básico dos básicos é sempre fazer mais feijão do que o necessário. Guardo um pouco na geladeira para usar em até 3 dias e congelo o resto.

Já passei um tanto de trabalho com um potão de feijão congelado, querendo usar só um pouquinho pra uma refeição. Agora congelo tudo em porções individuais ou de um jeito que fica bem fácil de pegar só o necessário. O feijão pronto, com caldo, coloco em forminhas de silicone só até estar bem congelado. Depois tiro das forminhas e passo pra saquinhos tipo zip lock.

Aqui em casa, uma forminha equivale a uma porção de criança. Para os adultos, são duas forminhas. Tem que testar e descobrir a porção que funciona na sua casa.

Feijão pronto para o freezer. Uma forminha equivale à porção infantil

Além disso, sempre tenho grãos cozidos congelados sem caldo – grão de bico, feijão branco, lentilhas…

O mesmo vale para arroz, quinoa e painço. Quando cozinho, já vai um pacote inteiro e congelo.

Quando dá

Meu objetivo é aproveitar o movimento de cada refeição que cozinho pra fazer algum pré preparo. Nem sempre dá – muitas vezes fazer o almoço se resume a juntar ingredientes semi prontos e transformar em algo com cara de comida recém preparada. Ufa, é pra isso que elas estão lá, afinal.

Por exemplo:

  • Quando preciso de cebola, corto ou trituro uma boa quantidade, que dá para a semana. Guardo em um pote com óleo. Na hora de usar é só colocar algumas colheradas na panela quente.
  • Se preciso cortar algum legume, ao invés de cortar só o que que vou usar na hora, corto tudo o que tiver na geladeira. Hoje, por exemplo, precisava de duas cenouras em cubos. Cortei o molho inteiro (seis cenouras), branqueei e congelei o que sobrou.
  • Algumas saladas podem ser cortadas com alguma antecedência: rabanete e pepino, por exemplo. Então, sempre corto a mais.
  • Se preciso cortar temperos, como salsinha e cebolinha, vou logo de molho inteiro e congelo o que sobrar.
  • Raramente preparo molho pra só uma refeição. Molhos em geral congelam bem e é sempre bom ter uma porção à mão pra alguma emergência – e um pacote de macarrão no armário.
Cebola
Cebola triturada pronta pra guardar na geladeira por até 5 dias.

Para congelar

Legumes branqueados, temperos picados, arroz, leguminosas sem caldo… Esses eu faço assim: forro uma assadeira com uma folha anti aderente (mas poderia ser um saco plástico também) e espalho bem o que for congelar. Levo pro freezer por mais ou menos uma hora, ou até que esteja bem duro, solto e transfiro pra um saco estilo zip lock ou um pote com tampa. Etiqueto e pronto, coloco de volta no freezer.

Cenouras branqueadas congeladas. Prontas para o armazenamento.

Uma cuidado: especialmente se o seu freezer for frost free, é importante deixar apenas o tempo mínimo necessário para endurecer e logo armazenar corretamente. Se não, corremos o risco de acabar com um alimento ressecado, porque é isso que o frost free faz – seca tudo.

Pra saber mais sobre as minhas estratégias pra facilitar a vida na cozinha, segue o No Prato Delas no Instagram. Por lá vou mostrando como organizo as coisas por aqui pra ter sempre comida boa na mesa sem enlouquecer.

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